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Quinta, 04 Abril 2013 21:40

Lições de liderança

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Atuação de Lincoln ensina muito sobre como conduzir uma empresa na economia de hoje.

Neste momento em que Abraham Lincoln está na moda, executivos, empreendedores e profissionais de negócios deveriam tirar a poeira de seus livros de história.

Mesmo antes do filme "Lincoln", já havia um culto à liderança do 16º presidente americano. Mas, hoje, com os líderes empresariais lutando para acompanhar a economia mundial, suas lições jamais pareceram tão atuais.

"Ouvir, estar sempre presente e manter a autenticidade são qualidades essenciais, quer para liderar um país na guerra, quer para liderar uma empresa em transformação", disse Howard Schultz, presidente da Starbucks.

Como historiadora docente na escola de administração de Harvard, estudo Lincoln há mais de uma década.

O filme, que acompanha seus esforços para aprovar a 13ª emenda (que tornou a escravidão inconstitucional), oferece prova de sua liderança. Mas a Proclamação de Emancipação, alguns meses antes, é ainda melhor para apreciar sua força.

Antes e depois de assinar a proclamação, em janeiro de 1863, Lincoln sofreu uma série de revezes militares, intensa oposição política, e teve de enfrentar a morte de seu filho Willie, 11, e sua depressão.

No entanto, jamais cedeu. Sua persistência e seu senso de dever o sustentaram.

Ari Bloom, consultor estratégico de companhias, compara: "Nada o prepara para os altos e baixos de criar um negócio. Haverá grandes e pequenos obstáculos, de questões pessoais a atrasos de fornecedores". E é preciso manter sua compostura profissional e integridade.

"Lincoln é notável porque fez tudo isso em circunstâncias extremamente difíceis", disse Bloom. "Parte dessa capacidade se relacionava à maneira pela qual ele procurava conselhos e informações com várias pessoas, entre as quais muitas que não concordavam com ele."

Lincoln se opunha à escravatura, mas havia deixado claro que preservar a União era mais importante. Na metade de 1862, mudou de perspectiva. Havia decidido que, a partir de 1º de janeiro de 1863, todas as pessoas detidas como escravos nos Estados em rebelião seriam emancipadas permanentemente.

Lincoln sempre foi ponderado e lento ao pensar, examinando todos os aspectos de cada questão. O gabinete se dividiu quanto à proclamação, mas àquela altura era improvável que o presidente pudesse ser dissuadido.

Da forma como Lincoln a compreendia, a proclamação era um ato radical. Um conflito iniciado com o objetivo de salvar a União havia se tornado uma disputa para salvar um país novo e diferente -no qual a escravidão seria permanentemente abolida.

Americanos e estrangeiros reagiram vigorosamente à proclamação. A depressão de Lincoln se agravou, mas seu compromisso não mudou.

Ele não reagia de forma que comprometesse seu objetivo mais amplo. Na batalha de Gettysburg, em 1863; as forças de Lee escaparam para a Virgínia. Lincoln estava frustrado e furioso. Escreveu uma carta zangada ao comandante das forças da União, dizendo: "Se o senhor o tivesse atacado, teríamos (...) concluído a guerra". Acrescentou: "Essa oportunidade dourada foi perdida, e estou imensamente incomodado com isso". Mas decidiu não enviar a carta. Colocou-a em um envelope no qual anotou "não enviada".

Ele reconheceu que não podia alienar um subordinado importante em um momento tão crucial. Imagine se existisse o e-mail nos tempos de Lincoln e ele tivesse apertado o botão de envio porque estava irritado. O curso da história poderia ter mudado.

É crucial para os líderes atuais praticar a tolerância em situações como essa. Boa parte daquilo que um líder experimenta no dia a dia é emocionalmente difícil.

Lincoln muitas vezes visitava os campos de batalha para conversar com os soldados da União e reservava horários para receber cidadãos comuns na Casa Branca -e ouvir seus incontáveis pedidos. Em 9 de abril de 1865, em Appomattox, Virgínia, o general Lee se rendeu ao general Ulysses Grant. Lincoln morreu seis dias mais tarde. E a Proclamação de Emancipação se tornaria parte de um processo mais amplo de emancipação que culminaria na ratificação da 13ª emenda, em dezembro de 1865.

Lincoln conseguiu aprender e crescer em meio a grandes calamidades. Sua história, mais que qualquer outra, demonstra que líderes não só criam o momento; eles o aceitam e, no processo, deixam-se mudar por ele.

Por Nancy F. Cohen | Para o New York Times| Folha de São Paulo | 29/01/2013

Artigo produzido e publicado no site por Ana Cláudia Inez - Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

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